terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Leite Materno

Em quatro dias, minha filha Joana completará seis meses. É quando começará a receber alimentos diferentes do leite materno. Quando eu deixarei de ser a única provedora da sua alimentação. Porque até agora, foi tudo eu. Desde a gestação até este momento, o meu corpo produziu absolutamente todos os nutrientes que a fizeram crescer. É uma sensação incrível de dever cumprido, vê-la fofinha e esperta, a sentar sozinha e pegar objetos para depois botar na boca.
Nem sempre isso é possível. Eu tive a sorte de trabalhar em um lugar e com uma equipe que me permitiram tirar leite todos os dias, pela manhã e à tarde. No horário de almoço, venho para casa amamentar "ao vivo". Também é bom viver em uma época com tecnologia para produzir uma maravilha chamada "bomba elétrica de tirar leite". E portátil. Melhor invenção desde a bic cristal.
A partir do próximo final de semana, porém, Joana começará a receber frutas e sopinhas que, gradualmente, substituirão completamente o meu leite. É quando ela passa a ser um pouquinho mais do mundo e um pouquinho menos "só minha". É quando começamos a lentamente torná-la um ser autônomo e independente de mim. Sei que vou ter saudade desta época louca de ela receber somente leite materno enquanto eu trabalho 40 horas por semana. Mas também, vem um certo alívio. Vou sentir falta de vir em casa almoçar e amamentar todos os dias (meu horário especial de amamentação termina aos seis meses). Mas vou poder ir trabalhar de ônibus e não esquentar a cabeça com trânsito e lugar para estacionar. E... é, acho que não me estressar com o trânsito é a única vantagem de não poder vir em casa para almoçar e amamentar.
Minha sábia Wó Wanda, logo que a Luísa nasceu, me disse que a maternidade é a arte de se desapegar. Porque a gente se apaixona por aquele "bichinho" recém-nascido, todo enroladinho, que dá grunhidos suaves e, quando percebe, tem um bebê fofucho que quer pegar todas as coisas e metê-las na boca. E logo já vai caminhar e falar e virar uma pessoa de verdade. E é genial acompanhar tudo isso. Mas é um exercício de desapego. Cada dia eles são mais deles mesmos e menos nossos.
E é assim que tem que ser.

Um comentário:

  1. Pois é... assim que tem sido, de geração em geração. Um beijo e o carinho da mãe!

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