Há cerca de 40 ou 50 anos, o mundo era talvez um lugar mais rebelde do que é hoje. Pelo menos a parte do mundo mais badalada pela imprensa. Havia revoltosos em Paris (como sempre haverá), havia Woodstock, pessoas marchavam contra guerras e ditaduras. Os ideais eram nobres. O socialismo era lindo e a maconha rolava solta. Fumar era bonito e pisar na grama era mais legal que andar na calçada. Transgredir era romântico. As regras pareciam meio estúpidas, melhor fazer diferente. Hay gobierno, soy contra!
Fast forward para 2012. Toda esta rebeldia tem agora 60 ou 70 anos. Senhores e senhoras respeitáveis, cheios de filhos e netos. Alguns viraram pacatos aposentados, em casa, guardados por Deus contando o vil metal. Curtem os netos, viajam pela Europa e cortam a grama. Não pisam mais na grama. Varrem o passeio para todos passarem.
O problema são os outros. Os que ainda fumam e acham que política pública para redução do tabagismo viola algum direito constitucional. São pessoas muito cheias de direitos, mas com poucos deveres. Os que têm a cultura do "trash". Pararam no tempo, em algum lugar aí pelos anos 70, aí pelos 25 ou 30 anos. O problema é que o corpinho não acompanhou. Setenta e um, com corpinho de 84.
Se alguém desta geração estiver lendo esta postagem, peço encarecidamente um favor: continuem sendo rebeldes, leiam Astérix, Mafalda, sejam socialistas. Até pisem na grama, se isto lhes dá prazer. Escutem Carcará, gritem palavras de ordem, elaborem manifestos. Sejam politicamente incorretos, exerçam seus preconceitos. Mas atravessem na faixa de segurança. Sejam rebeldes sem pular a mureta do corredor de ônibus. Por favor, continuem vivos para continuar com a rebeldia. A minha geração, dos 30 ou 40, desistiu dessa quando tinha 16. Viramos capitalistas, pequeno-burgueses, seja lá como queiram chamar as nossas prioridades individualistas e mesquinhas.
O mundo ainda precisa de rebeldes, mas o tempo passa para todos e eu não posso mais ver idosos (sim, os mais rebeldes são os idosos) atropelados por ônibus ou motoqueiros malucos. Porque o mais estranho disso tudo é que os que mais se arriscam são os mais idosos. Os adolescentes parecem ter mais juízo que os avós.
E viva a revolução!
E os malucos do occupy lá acampados na imunidície? São revolucionários ou não? Amo esse blog. Bjs.
ResponderExcluirÉ, acho que são rebeldes. Acho que a crise move a rebelião. E o Brasil parece estar num momento bom. Ninguém é rebelde quando consegue comprar carro novo ou a casa própria. E nunca se vendeu mais carro e imóvel na história desse país. É quase um direito constitucional. Nos EEUU e Europa, a sensação é mais de crise. Logo, malucos acampados na imundície!
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